O que são as 5 linguagens do amor
A ideia é simples. Cada pessoa sente que está sendo amada de um jeito diferente, e costuma demonstrar amor do jeito que gostaria de receber. Aí mora a confusão da maioria dos casais que eu atendo.
Você lava a louça, arruma o carro, resolve o problema com o plano de saúde. Faz isso porque ama. E a pessoa do seu lado continua se sentindo sozinha, porque o que ela precisava era que você sentasse e conversasse por vinte minutos sem olhar o celular. Ninguém está errado ali. Os dois estão falando idiomas diferentes e achando que o outro é frio.
Gary Chapman organizou isso em cinco categorias, em 1992. Vale saber de onde vem: ele era conselheiro de casais, não pesquisador. O modelo nasceu da prática dele, e a pesquisa que veio depois nunca confirmou direito que as pessoas se dividem mesmo nessas cinco caixas. Eu uso assim mesmo, e vou explicar por quê no fim.
As cinco, uma por uma
1. Palavras de afirmação
Você precisa ouvir. Um elogio, um obrigado, um "que bom que você existe" dito em voz alta. Para quem tem essa linguagem, o que não foi falado não aconteceu. E o contrário também vale: uma frase ríspida numa discussão fica ecoando por semanas.
2. Tempo de qualidade
Não é estar junto. É estar junto com atenção. Dividir o sofá enquanto cada um mexe no próprio celular não conta, e quem tem essa linguagem sente a diferença na hora. O que alimenta aqui é a conversa sem pressa, o passeio sem objetivo, o olho no olho.
3. Presentes
A parte mais mal compreendida das cinco, porque soa material. Não é sobre valor. É sobre a prova física de que alguém pensou em você quando você não estava por perto. Um bilhete, uma fruta que você gosta comprada no caminho de casa. O objeto fica ali, lembrando.
4. Atos de serviço
Amor que se prova fazendo. Resolver, cuidar, tirar um peso das costas do outro. Quem fala essa língua costuma se frustrar calado, porque faz muito e acha que aquilo deveria ser óbvio. Não é. Para quem recebe em outra linguagem, tudo isso pode passar despercebido.
5. Toque físico
Abraço, mão na perna no carro, dormir encostado. Vai muito além de sexo. É o corpo confirmando que o vínculo está de pé. Quem tem essa linguagem sente uma briga não resolvida na pele, literalmente, antes de conseguir nomear o que houve.
Como descobrir a sua
O teste aqui em cima faz isso em uns três minutos. Mas se você quiser conferir por conta própria, tem duas perguntas que funcionam bem melhor que o teste.
A primeira: o que mais dói. Pensa na última vez que você se sentiu sozinho dentro de uma relação. O que estava faltando ali? Silêncio? Distância? Ninguém te ajudando? A falta aponta a linguagem com mais precisão do que a satisfação.
A segunda: o que você pede sem pedir. Aquilo que você cobra em tom de brincadeira, ou reclama de leve, ou repete de vez em quando achando que já falou demais. Quase sempre é a sua linguagem tentando sair.
Quando as linguagens não batem
Casal com linguagens diferentes é a regra, não a exceção. E dá certo, desde que os dois parem de esperar que o outro adivinhe.
O erro comum é usar a descoberta como argumento de briga. "Viu? A minha linguagem é tempo de qualidade e você nunca me dá isso." Aí a ferramenta virou arma e não resolveu nada. O uso que presta é o contrário: você aprende o idioma do outro e passa a falar nele de propósito, mesmo quando não é o seu.
Amar no idioma do outro dá trabalho no começo. Não sai natural, parece performance. Depois de algumas semanas, para de parecer.
O que eu vejo no consultório
Aqui é onde eu me afasto um pouco do livro. Como psicanalista, o que me interessa não é tanto qual das cinco caiu no seu resultado. É de onde ela veio.
Quem precisa muito de palavras muitas vezes cresceu numa casa onde ninguém dizia nada, e afeto tinha que ser deduzido. Quem só se sente amado por atos de serviço às vezes aprendeu cedo que era preciso ser útil para ter valor. Quem pede toque o tempo todo pode estar pedindo uma segurança que faltou muito antes daquele relacionamento.
O teste te dá um nome. A pergunta boa vem depois: por que logo essa? O que aconteceu para você aprender que o amor chega exatamente por aí, e não por outro lugar?
É por isso que eu uso o modelo mesmo achando a base dele frágil. Ele abre a conversa. E quase sempre a conversa vai parar num lugar bem mais antigo do que a relação atual.
Perguntas frequentes
Quantas linguagens do amor existem?
Cinco: palavras de afirmação, tempo de qualidade, presentes, atos de serviço e toque físico. A ideia é do Gary Chapman, um conselheiro conjugal americano, e apareceu num livro de 1992.
Dá para ter mais de uma linguagem do amor?
Dá, e é o mais comum. Quase ninguém tem uma só. O que costuma acontecer é uma pesar bem mais que as outras, e uma quase não contar. É essa diferença que aparece no teste.
A minha linguagem do amor pode mudar com o tempo?
Pode. Ela muda com a fase da vida, com o que está faltando e com quem você está. Alguém que passou um período muito sozinho costuma pedir mais presença. Quem está sobrecarregado passa a valorizar quem resolve as coisas.
As linguagens do amor têm base científica?
Não da forma como costumam vender. Chapman criou o modelo a partir da experiência dele no aconselhamento, e a pesquisa depois disso é fraca e inconsistente. Isso não torna o modelo inútil. Ele é uma boa porta de entrada para um casal começar a falar de afeto sem brigar. Só não é diagnóstico.
E se eu e a pessoa tivermos linguagens diferentes?
É o normal. O problema aparece quando os dois insistem em amar do próprio jeito e esperam ser entendidos por isso. Saber a linguagem do outro serve para traduzir, não para provar quem ama mais.
O teste é gratuito?
É. Você responde, recebe o resultado e pronto. Não precisa pagar nada nem se cadastrar em lugar nenhum além do próprio teste.
Se ler isso mexeu em alguma coisa, talvez o assunto não seja linguagem do amor. Teste mostra padrão. Entender de onde o padrão veio costuma pedir outra pessoa escutando.
Conversar com um psicanalistaFale comigo direto pelo WhatsAppComo funciona a primeira sessãoEdmilson Borges · Psicanalista clínico · Atendimento online